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ESGOTOS SANITÁRIOS: QUE FAZER COM ELES?

Conforme lembra Amilcar Neves: “Falar em saneamento é falar de coisa feia ou

suja. É quase contar de obscenidades. Pensa-se em água: elemento purificador, a pureza,

a entrada do sistema. Mas não se consegue afastar da lembrança a consciência da saída,

consequência de todo processo. O que fazer com essa incômoda saída? Esconder, fingir

que não existe, ignorar que todos nós, habitantes do reino animal, somos feitos de água

e de, digamos, impurezas?”

A verdade é que todos nós, independente da classe social, cor, idade, sexo,

religião, somos responsáveis pela geração de uma parcela diária significativa de esgotos

sanitários domésticos: uma mistura de águas negras, compostas de excretas humanas,

com água servidas, provenientes do asseio corporal e lavagem de roupas, louças, pisos.

O esgoto sanitário é formado basicamente por águas de abastecimento (99,9%),

às quais, em virtude de seu uso, foram acrescentas substâncias sólidas (0,1%), muitas

das quais consideradas poluentes ou patogênicas, alterando suas características físicas,

químicas e biológicas, implicando na necessidade de seu tratamento.

Grande parte dos municípios brasileiros não dispõe de Sistemas Públicos de

Esgotos Sanitários. A pequena parcela contemplada com tais sistemas convive, da

mesma forma, com os problemas relacionados à falta de Saneamento Básico visto que,

não raramente, o sistema coletor abrange somente a região central dos mesmos, por ser,

geralmente, a mais populosa. Desta forma, muitas vezes deixam de ser atendidos

bairros, pequenas comunidades, escolas, instituições, parques e uma infinidade de

outros centros que envolvem a atividade humana e a consequente produção de esgotos.

Nestes casos, o tratamento dos esgotos sanitários domésticos deve ser feito

individualmente ou, eventualmente, em pequenos agrupamentos em unidades

normalizadas pela ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. São os chamados

sistemas individuais de tratamento por sistemas de tanques sépticos, popularmente

conhecidos como fossa-séptica, fossa-filtro ou fossa-filtro-sumidouro.

Dimensionados e implantados adequadamente, seguindo orientações técnicas

como número de contribuintes, natureza da contribuição, intervalo entre limpezas,

dimensões mínimas, relação comprimento/largura, impermeabilização, entre outros,

estes sistemas apresentam uma eficiência média em torno de 50% no que se refere a

remoção de lodo e matéria orgânica.

O problema reside no fato de que, normalmente, estes sistemas inexistem, são

sub-dimensionados ou implantados incorretamente, conferindo aos esgotos sanitários

um grau de tratamento insignificante e permitindo com que grande parcela dos mesmos

contribua para o aumento da contaminação do solo e das águas superficiais e

subterrâneas.

Enquanto que países carentes de disponibilidade hídrica em abundância e com

qualidade vêm tratando, há décadas, esgotos sanitários domésticos para fins de


utilização menos nobres (uso industrial, irrigação de áreas verdes, construção civil), o

Brasil depara-se com apenas cerca de 26% dos esgotos sanitários sendo coletados

(destes, apenas 68% recebendo tratamento) através de sistemas convencionais, e o

restante sendo “tratado” em unidades individuais.

Pesquisas concluídas recentemente em uma região litorânea de santa Catarina,

demonstram que 48% dos sistemas de tratamento individual de esgotos sanitários

domésticos apresentavam-se completos. Vale lembrar que este parâmetro não representa

a situação real dos sistemas, uma vez que não foram tomadas suas dimensões e formas

construtivas.

Entretanto, pesa mais sabermos que 34% dos sistemas vistoriados são

incompletos (e os proprietários sabem disso) e que outros 17% admitem não possuir

sistema de tratamento ou desconhecer a existência dos mesmos. A manutenção e

limpeza periódicas, indispensáveis para o bom desempenho dos sistemas, não é

procedida, ou procedida quando necessária (diga-se: quando o sistema entope), em

71,5% dos casos.

Parece que ainda não acordamos para a realidade nua e crua: apenas cerca de

2,7% da água disponível no Planeta é doce e apropriada para consumo após tratamento.

E continuamos sem saber o que fazer com a parcela que utilizamos e, depois,

refugamos.

Ou sabemos e não queremos admitir; escondendo, fingindo que não existe,

ignorando que todos nós, habitantes do reino animal, somos feitos de água e de,

digamos, impurezas.


Artigo publicado em 2001 no Informativo Logicamente Correto.

Por Janete Feijó - EVA Engenharia.


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