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A TURBIDEZ DA ÁGUA DOS RIOS E A QUALIDADE DA ÁGUA TRATADA

As frequentes chuvas que ocorrem na região têm trazido de volta um antigo problema

ambiental: o alto teor de sedimentos (argila, areia, matéria orgânica) sendo transportado

pelas águas dos rios.

A qualidade de sedimentos conduzidos está diretamente relacionada ao uso e

ocupação do solo e à degradação da bacia hidrográfica. Áreas desmatadas, solos

desnudos, movimentos de terra, remoção da mata ciliar e grandes aglomerados urbanos

com imensas áreas impermeabilizadas são os grandes responsáveis pelo carregamento

dos sedimentos até os cursos d’água. Iniciada a precipitação, o solo desprotegido

permite que a água “lave” a superfície, através do chamado escoamento superficial.

Na região litorânea, tais sedimentos têm como destino as praias, afetando

diretamente sua condição de balneabilidade.

Entretanto, outro problema gerado pelos sedimentos em suspensão é a

quantidade de produtos químicos introduzidos na água, na ocasião de seu tratamento

para posterior consumo. A quantidade destes poluentes é proporcional à quantidade de

agente coagulante, geralmente sulfato de alumínio, responsável por “limpar” a água nas

estações de tratamento convencionais.

Os municípios de Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú são abastecidos pela

água retirada dos rios Itajaí-Mirim e Camboriú, tornando-os, também, mananciais de

abastecimento.

Com o objetivo de avaliar o índice de turbidez das águas nos pontos de captação,

e, consequentemente, a quantidade de sulfato de alumínio utilizado nas estações de

tratamento, acadêmicos do curdo de Engenharia Ambiental da Univali estão

desenvolvendo projetos de pesquisa nestes rios.

Dados preliminares apontam as águas do rio Itajaí-Mirim sendo agentes

tranportadores de maior quantidade de sedimentos quando comparados com os índices

já obtidos para o rio Camboriú. Esta diferença está relacionada com a área da bacia

hidrográfica à montante da captação, o número de municípios pertencentes à mesma e o

índice de precipitação ocorrido sobre a bacia.

O maior problema verificado pelo uso indiscriminado de sulfato de alumínio nas

estações de tratamento de água é a assimilação do produto remanescente pelo

organismo, isto é, a ingestão de quantidade excessivas deste produto pode acarretar

sérios danos à saúde da população. Ainda: em estações de tratamento de água

convencionais, o sulfato de alumínio, aderido às partículas do sedimento removido da

água durante sua “limpeza”, é lançado nos corpos d’água à jusante, comprometendo-os

significativamente.

Uma vez que tratar a água se faz necessário, e que o uso de produtos químicos

durante o tratamento e indispensável, cabe à população a conscientização do uso e

ocupação do solo nas bacias hidrográficas, principalmente quando seus cursos d’água

são também mananciais de abastecimento, uma vez que deles é retirada a água que

consumimos.

E, às autoridades locais, cabe uma intensa atuação fiscalizatória, com o

propósito de proibir assentamentos irregulares, implantação de loteamentos não


licenciados, desmatamentos e grandes movimentos de terra, muitas vezes

desnecessários, além de injustificáveis.


Balneário Camboriú, 19 de abril de 2003.

Artigo publicado no Jornal Página 3.

Por Janete Feijó - EVA Engenharia


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